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Uso religioso da ayahuasca no Brasil

Regulamentação, autorregulação e responsabilidade.

O uso religioso da ayahuasca no Brasil é orientado por princípios deontológicos consolidados pelo Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas. No Santuário, essas referências caminham com estatuto, regimento, diretrizes próprias e procedimentos de cuidado.

Templo do Santuário Céu de Aparecida ao pôr do sol em Matão, São Paulo
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Marco de referência

O que representa a Resolução CONAD nº 1/2010

A Resolução CONAD nº 1, de 25 de janeiro de 2010, consolidou decisões e princípios deontológicos relacionados ao uso religioso da ayahuasca no Brasil. O próprio Ministério da Justiça informa que os procedimentos compatíveis com esse uso foram definidos por essa resolução.

O texto reconhece a legitimidade histórica do uso ritualístico e religioso e estabelece referências para uma prática responsável. Entre elas estão a realização em rituais religiosos, em locais autorizados pelas respectivas direções, e a vedação da associação com substâncias psicoativas ilícitas.

A resolução não funciona como autorização automática para qualquer prática. A entidade religiosa continua responsável por sua organização, por suas decisões, por seus procedimentos internos e pela observância das demais normas aplicáveis.

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Manutenção institucional

Contribuição não se confunde com comercialização

A Resolução CONAD veda a comercialização da ayahuasca e a percepção de vantagem como pagamento por sua produção ou consumo. Ao mesmo tempo, ressalva contribuições destinadas à manutenção e ao regular funcionamento das entidades, conforme suas tradições e disposições estatutárias.

No Santuário, a contribuição sugerida é apresentada como corresponsabilidade pelos custos da cerimônia e pela manutenção do espaço, não como compra da medicina ou garantia de participação. O valor sugerido é informado diretamente pelos dirigentes.

A condição financeira não deve ser uma barreira absoluta. A direção pode analisar contribuição menor, doação de materiais, colaboração na manutenção ou disponibilidade de vaga social, sempre conforme as possibilidades de cada encontro.

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Limites de comunicação

Sem propaganda de efeitos ou promessa terapêutica

Os princípios consolidados pelo CONAD orientam que as entidades evitem práticas comerciais, propaganda de efeitos e pacotes turísticos associados à ayahuasca. O uso terapêutico aparece no marco normativo como matéria de pesquisa experimental, não como finalidade automaticamente atribuída às cerimônias religiosas.

Por isso, o Santuário não anuncia a ayahuasca como tratamento, não promete cura, não realiza diagnóstico e não apresenta a cerimônia como substituta de acompanhamento médico, psicológico ou de qualquer tratamento profissional.

A comunicação institucional busca informar com clareza sobre contexto, possíveis efeitos, contraindicações, procedimentos e limites. A decisão de participar exige avaliação individual e não pode ser baseada em promessa de resultado.

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Autorregulação

Estatuto, regimento e procedimentos próprios

A responsabilidade institucional não se limita à existência de um documento externo. O Santuário possui estatuto social registrado, direção constituída, deliberações internas, relatório de atividades, regimento de grupos de estudo e diretrizes vivenciais e éticas.

Esses documentos organizam responsabilidades, finalidade religiosa, serviço voluntário, funcionamento interno e limites das atividades. As nove diretrizes do Santuário complementam essa estrutura no cotidiano: não especialismo, não intervenção, livre-arbítrio, escuta, cuidado com a palavra, humildade espiritual, serviço, respeito às tradições e autorresponsabilidade.

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Aplicação prática

Como a responsabilidade aparece em cada cerimônia

Toda pessoa que participa pela primeira vez preenche anamnese e passa por entrevista, ainda que possua experiência anterior em outros espaços. Há também orientações preparatórias e roda de conversa presencial para os participantes de primeira vez.

As cerimônias têm limite de pessoas e acompanhamento de dirigentes e guardiões. O cuidado alcança organização do ambiente, fogo, circulação, música, silêncio, palavra, livre escolha e apoio ao longo de todo o trabalho.

Depois da cerimônia, o Santuário mantém possibilidade de escuta e integração. Quando necessário, psicólogos vinculados ao templo podem oferecer acolhimento dentro de seus limites profissionais, sem transformar a experiência espiritual em diagnóstico.

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Leitura responsável

O que esta página não pretende afirmar

Esta página apresenta o modo como o Santuário compreende e aplica referências institucionais ao seu contexto. Ela não substitui a leitura integral das normas, não oferece parecer jurídico e não declara que o cumprimento de um único documento esgota todas as obrigações legais, sanitárias, ambientais, administrativas ou profissionais aplicáveis.

Normas e orientações públicas podem ser alteradas. A direção acompanha as fontes oficiais e revisa seus procedimentos sempre que necessário.

Elaborado e revisado pela direção do Santuário Céu de Aparecida · Atualizado em 28 de julho de 2026.

Fontes e limites deste conteúdo

Fontes consultadas